segunda-feira, 15 de março de 2010

Ode a Madrugada

Ah, eu louvo a madrugada!
Que vem fria e vem serena,
Quase sem querer chegar.

Que se arrasta, preguiçosa,
Fazendo que não se importa
De te encontrar.

Que vem de mansinho, enganosa,
Acelerando o tempo
De quem quer conversar.

Vem, com seus ares distantes,
Úmida do orvalho
De uma manhã-que-virá

Vem em silêncio, inspiradora:
É a insônia dos poetas,
Persuadidos a rimar.

Vem, tomada por romântica,
Regada a sonhos,
Banhada em luar.

E vem assim, misteriosa,
Carregando segredos.
E sempre a incitar

As paixões, os beijos amantes
E os ardentes desejos
Com que ousamos sonhar.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Idéias Íntimas

Eu escrevo ao som da chuva
E crio um mundo a partir de um “nada-branco”
Eu vejo as coisas de um jeito diferente
E vivo em um mundo em que você não existe

Minha mente não é só poesia
E nem a “fantasia” é meu motivo de viver
Não busco somente respostas,
Mas também as perguntas que me levam até elas

Eu procuro a Realidade da Vida
Não quero desvendar seus Mistérios,
Apenas entendê-los

Eu dependo de todos ao meu redor
E ao mesmo tempo, sou livre de qualquer corrente
Todos me cativam, ninguém me prende
Pertenço a mim mesma, e sou fiel apenas aos meus ideais

O que me fascina é a Natureza Humana
E tanto quanto, o que a distorce.
Amo a Vida, vivo a Morte.
Todas as pessoas que conheço vivem em mim
E se as vejo passar, o faço sorrindo.

O que mais gosto em você, seja você quem for,
É o seu sorriso
O que mais me intriga
São suas lágrimas

Se eu choro, sei por que o faço.
Se eu sofro, o faço por querer.
Eu imponho os meus limites
E os conheço muito bem
Pra mim o céu é o que há de mais perfeito
E a Lua possui o brilho mais sublime

Gosto do som tanto quanto do silêncio
A voz de que mais gosto é aquela que fala em mim
As palavras são tudo.
Mas meus olhos falam mais por mim
Do que minha própria boca.

Minhas idéias faladas podem ser infantis
Mas aquelas que mantenho pra mim
São sempre caprichosas demais para serem ditas
E por isso mesmo é que digo:
São idéias íntimas.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Os Diferentes

Já aviso que o texto não é meu! Foi meu pai quem me mostrou e achei que devia postar aqui no blog.
Bem, lá vai:


Os Diferentes

Diferente não é quem o pretenda ser. Este é um imitador do que não foi imitado, nunca um ser diferente.

Diferente é quem foi dotado de alguns mais e de alguns menos em hora, momento e lugar errado. Para outros. Que riem de inveja de não serem assim. E de medo de não aguentarem, caso um dia venham a ser. O diferente é um ser sempre mais próximo da perfeição.

O diferente nunca é um chato. Mas é sempre confundido com ele por pessoas menos sensíveis e avisadas. Supondo encontrar um chato onde está um diferente, talentos são rechaçados; vitórias são adiadas; esperanças são mortas.

Um diferente medroso, esse sim acaba transformando-se num chato. Chato é um diferente que não vingou.

Os diferentes muito inteligentes entendem porque os outros não os entendem. Os diferentes raivosos acabam tendo razão sozinhos, contra o mundo inteiro. Diferente que se preza entende o porquê de quem o agride.

O diferente paga sempre o preço de estar - mesmo sem o querer - alterando algo, ameaçando rebanhos, carneiros e pastores. O diferente aguenta no lombo a ira do irremediavelmente igual; a inveja do comum; o ódio do mediano. O verdadeiro diferente sabe que nunca tem razão mas que sempre está certo.

O diferente começa a sofrer cedo, desde o primário, onde todos de mãos dadas, e até mesmo alguns professores por omissão (principalmente os mais grossos), se unem para transformar o que peculiaridade e potencial, em aleijão e caricatura. O que é percepção aguçada em "- puxa, Fulano, como você é complicado!". O que é o embrião de um estilo próprio em "-Você não está vendo como todo mundo faz?".

O diferente carrega desde cedo apelidos e marcações nos quais acaba transformando-se. Só os diferentes mais fortes do que o mundo se transformaram (e se transformam) nos seus grandes modificadores.

Diferente é o que vê mais longe do que o consenso. O que sente antes mesmo dos demais começarem a perceber. Diferente é o que se emociona enquanto todos em torno agridem e gargalham.

Diferente é o que: engorda mais um pouco; chora onde outros xingam; estuda onde outros burram. Quer onde outros cansam. Espera de onde já não vem. Sonha entre realistas. Concretiza entre sonhadores. Fala de leite em reunião de bêbados. Cria onde o hábito rotiniza. Sofre onde outros ganham.

Diferente é o que: fica doendo onde a alegria impera. Aceita empregos que ninguém supõe. Perde horas em coisas que só ele sabe importantes. Engorda onde não deve. Diz sempre na hora de calar. Cala sempre em horas erradas. Não desiste de lutar pela harmonia. Fala de amor no meio da guerra. Deixa o adversário fazer o gol porque gosta mais de jogar do que de ganhar. Diferente é o que aprendeu a superar o riso, o deboche, o escárnio e a consciência dolorosa de que a média é má porque é igual.

Os diferentes aí estão: enfermos; paralíticos; machucados; engordados; magros demais; bonitos demais; inteligentes em excesso; bons demais para aquele cargo; excepcionais; narigudos; barrigudos; joelhudos; de pé grande; feios; de roupas erradas; cheios de espinha; de malícia; os diferentes aí estão: doendo e doendo, mas procurando ser, conseguindo ser, sendo muito mais.

A alma dos diferentes é feita de uma luz além. A estrela dos diferentes tem moradas deslumbrantes que eles guardam para os poucos que forem capazes de os sentir e entender. Nessas moradas estão os maiores tesouros da ternura humana. De que só os diferentes são capazes. Não mexa com o amor de um diferente. A menos que você seja suficientemente forte para suportá-lo depois.

ARTHUR DA TÁVOLA.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Perdas & Ganhos

“Por fim emergimos das águas mornas da infância e percebemos que existimos – no tempo.”

Essa é uma das realidades com que me deparei ao ler o livro “Perdas & Ganhos” de Lya Luft. Confesso que ainda não terminei de ler o livro, mas estou numa parte em que a autora fala sobre a velhice e o tempo.

Foi então que li aquela frase. E ela faz todo sentido, pois como a própria Lya escreve: ”na infância tudo é sempre agora” pois “estamos ocupados em viver”.

E é fato! Quando foi que paramos de viver em função do “agora”? Quando foi que começamos a viver o “agora” em função de prever o que virá “depois”?

E a verdade é que houve um momento em que percebemos que existimos no tempo, que nos deixamos levar pelo seu fluxo, e -por que não dizer?- que o tempo nos foi até mesmo imposto.

E aqui eu digo que “sim, isso me incomoda”. Porque eu não posso mais parar. Por que eu não posso mais parar? Por que diabos eu não posso mais parar?! Sinceramente, é isso que eu quero! Eu quero PARAR, quero ter TEMPO para sentir prazer nas coisas simples da minha vida! Eu quero VIVER o meu AGORA! Não quero continuar a sentir que meu dia passou rápido demais sem que algo de bom tenha acontecido! Porque não, não sou como boa parte das pessoas que “basta viver e pronto”! Eu quero SENTIR a minha VIDA!

Eu gostaria de acordar em meio ao silêncio, de fazer as coisas ao meu tempo, de viver ao meu bel-prazer. Eu gostaria de parar e sentir o calor do sol na minha pele, de sentir o vento fresco, de ouvir os pássaros cantando, de ver as crianças brincando na praça, de ouvir suas risadas... Isso, pra mim, é PAZ PROFUNDA.

Mas eu sempre sou carregada pela onda de pressa em que estamos vivendo. Não posso parar nem para apreciar os meus pensamentos, não posso parar nem para olhar com deslumbre as paisagens ou os rostos sorridentes que vejo em minha mente. Tem sempre alguém que me impõe o tempo, que não me permite parar.

E sei que haverá aqueles que me dirão: “O tempo é um estado de consciência”. Ao que eu previamente respondo: “Não há como não ter consciência do tempo quando ele está sendo martelado na sua cabeça!”.

E entretanto o Tempo é mesmo uma questão de perspectiva: Onde alguns dizem “ganhar tempo” eu veja as perdas; e onde outros apontam “perda de tempo” eu encontro os ganhos.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

O Veríssimo Sabe das Coisas

Dois contos (sensacionais) de Luís Fernado Veríssimo:


1) Era uma vez uma linda moça que perguntou a um lindo rapaz:

- Você quer casar comigo?

Ele respondeu:

- NÃO!

E a moça viveu feliz para sempre, foi viajar, fez compras, conheceu muitos outros rapazes ,transou bastante, visitou muitos lugares, foi morar na praia, comprou outro carro, mobiliou sua casa, sempre estava sorrindo e de bom humor, nunca lhe faltava nada, bebia cerveja com as amigas sempre que estava com vontade e ninguém mandava nela.

O rapaz ficou barrigudo, careca, o pinto caiu, a bunda murchou, ficou sozinho e pobre, pois não se constrói nada sem uma MULHER.

FIM!


2) Era uma vez, numa terra muito distante, uma linda princesa independente e cheia de auto-estima que, enquanto contemplava a natureza e pensava em como o maravilhoso lago do seu castelo estava de acordo com as conformidades ecológicas, se deparou com uma rã.
Então, a rã pulou para o seu colo e disse:

– Linda princesa, eu já fui um príncipe muito bonito. Mas uma bruxa má lançou-me um encanto e eu transformei-me nesta rã asquerosa. Um beijo teu, no entanto, há de me transformar de novo num belo príncipe e poderemos casar e constituir um lar feliz no teu lindo castelo. A minha mãe poderia vir morar conosco e tu poderias preparar o meu jantar, lavarias as minhas roupas, criarias os nossos filhos e viveríamos felizes para sempre…

E então, naquela noite, enquanto saboreava pernas de rã à sautée, acompanhadas de um cremoso molho acebolado e de um finíssimo vinho branco, a princesa sorria e pensava:

– Nem fo…den…do!

FIM!

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Mensagens Para Sempre

Bom, pessoas, outro dia eu estava relendo o livro "Mensagens Para Sempre" do autor Richard Bach. O livro em si é uma coletânea com frases de vários livros desse autor brilhante! Então resolvi postar aqui no blog as minhas frases favoritas! Ah, coloquei os nomes dos livros logo depois das frases. Enjoy and think about them (h)


“Sempre há uma razão para se viver.
Podemos nos elevar sobre nossa ignorância,
podemos nos descobrir como criaturas
de perfeição, inteligência e habilidade.
Podemos ser livres!” - De Fernão Capelo Gaivota

“Se desejas tanto a liberdade e a felicidade,
não vês que ambas estão dentro de ti?
Pensa que as tens e as terás.
Age como se fossem tuas que serão.” – De Ilusões

“O que sonhas enquanto acordado,
guarda o desejo de libertar-te de tudo o que te ata:
a rotina, o fastio, a solenidade.
O que não compreendeste é que já és livre,
Como sempre tens sido.” – De Ilusões

“Quando amas alguém e sabes
que ele está pronto para aprender e crescer,
tu o deixas em liberdade.” – De Um

“O importante não é se algo já está feito,
mas que temos infinitas possibilidades de escolha.
Nossas escolhas nos levam a experiências
que nos fazem compreender que não somos
as criaturas pequenas que parecemos ser.
Somos expressões interdimensionais da vida,
espelhos do espírito.” – De Um

“Ninguém pode nos proibir de fazer
o que queremos fazer.” – De Ilusões

“Cada um de nós é, na verdade,
uma idéia ilimitada da liberdade.” – De Fernão Capelo Gaivota

“Existem todas as possibilidades,
a mais absoluta liberdade de escolha.
Como em um livro, onde cada letra
permanece para sempre na página,
mas o que muda é a própria consciência
que escolhe o que ler e o que deixar de lado.” – De Um

quinta-feira, 16 de julho de 2009

O Que Fazer?

Quem? Quando? Como? Alguém anotou a placa?
Deixando as brinks de lado, algo aconteceu bem recentemente: eu de repente me vi atropelada por sentimentos e emoções, certezas e incertezas, perguntas e respostas, bem-estar e mal-estar.

Não, não estou grávida, nem de TPM, ou qualquer estupidez que queiram falar. E tenho que dizer que precisei de toda a minha presença de espírito e de toda a minha frieza lógica pra não ser arrebatada por toda aquela confusão. Não deixar transparecer foi importante e difícil também. E se por um lado consegui, por outro, não.

Aconteceu de forma simples e, certamente, natural: a calmaria se instalou a minha volta, e logo depois (como eu havia previsto) veio a tempestade, que passou tão rápido quanto veio! Sério, não deu dois beijinhos, não se despediu nem nada! Fiquei boba com a falta de educação! –n

Anyway, estou em um momento de pós-tempestade. Não estou confusa, mas também não tenho solução pra nada do que senti.

Estar dividida entre duas pessoas queridas é sempre uma situação tensa e incômoda: de um lado sinto paixão, um desejo que secretamente ferve nas minhas veias; de outro, sinto um gostar difuso, um amor indizível e puro, sem qualquer mácula ou desejo físico. E entretanto, quero e não quero os dois...

Sinto meus pés no chão, me sinto lógica nesse momento, mas uma parte de mim (naturalmente insegura) sente desamparo. E apesar de eu tentar não pensar nisso, apesar de toda a distração das tarefas diárias, fica essa pergunta ecoando no fundo de minha mente, de forma incessante: O que fazer? O que fazer...?