quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Coisas que eu Aprendi

O professor gosta de ver o aluno se esforçar. Mas fica igualmente satisfeito ao vê-lo admitir que não sabe. Se abrindo, assim, ao Aprendizado, ao invés de se fechar, calando-se na Ignorância.


*Erros ou acertos: eles simplesmente não são importantes.

*Tudo bem não saber. Você está aqui pra descobrir o que não sabe.

*O sofrimento não é algo que se deva temer.

*Limite-se a aprender, sabendo que não existe nada vão, que não existe nenhuma experiência "ruim" que não tenha uma lição fantástica como fundamento.

*Limite-se a ser. Como você foi, como você é, como você será. Com todas as possibilidades de mudança, sempre que você quiser.

*Sobre a Verdade: ela o libertará. Seus olhos, entretanto, não podem vê-la. Mas confia que ela é formada de Luz, Vida e Amor, e que seu Princípio É e Está em todas as coisas.

*O nome com o qual nos designamos (Ser Humano) tem um significado profundo. Pare e pense sobre isso. Faça da Humanidade uma meta.

*Sinta, Compreenda e Perdoe. O Ódio, o Rancor, a Ira e o Arrependimento são o que te impedem de viver em Plenitude.

*Leia. E leia livros. Existem outras pessoas no mundo e algumas ou muitas estão mais "avançadas" do que você. Para a sua felicidade, elas normalmente gostam de escrever e compartilhar. (Richard Bach é altamente recomendado)

*Converse, troque ideias, não se prenda à sua opinião e visão dos fatos. O que você vê não é, nem de perto e nem de longe, tudo o que existe.


Quando ver ou ouvir as palavras: Amizade, Caridade, Solidariedade, Compreensão, Perdão, Paciência, Tolerância e Respeito; saiba que o que está sendo dito é: Amor, Amor, Amor, Amor, Amor, Amor, Amor e Amor.

O Amor tem vários nomes e usa várias máscaras. Saiba enxerga-Lo em todas as coisas.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

O Prazer é Meu

Você já me conhece. Alguns mais do que outros, mas no fundo sou conhecido de todos.

Sou um tanto invisível às vezes... Algumas pessoas nem me notam. São muitos os que não me querem por perto. E mesmo assim, uma hora ou outra, eu acabo ficando ao lado deles.

É, no fim, eu estou sempre ali, à espera de um espaço.

Eu dou suporte àqueles que não tem argumento; - nenhum argumento consegue me vencer, se conseguisse eu não estaria aqui. - Apoio teses sem sentido. Sem sentido mesmo: não preciso ter razão, muito menos estar certo. Qualquer motivo é Motivo pra mim. Basta que eu me faça presente.

Diferenças? Adoro as diferenças! Tudo que for fora do ‘normal’, novo, incomum, diferente demais, pode acreditar, vou estar envolvido.

E eu chego sem ninguém perceber, me fortaleço na insegurança, no ‘desconhecido’, na ignorância, no ódio, no medo.

Às vezes, a impressão que dá é que eu posso tudo. Sou Onipresente, Onipotente. Não, não sou Deus. Mas sim a Mão-Que-Pune: Eu sou a mão do pai que desce no rosto do filho. Sou a voz da mãe que expulsa a filha de casa. Sou o olho que julga, a voz que reprova, a mão que agride, a venda que cega os olhos conscientes.

Basta que eu tenha um espaço.

Aqueles que já me olharam nos olhos, que ouviram minha voz, que sentiram o peso da minha mão, esses sim me odeiam, me temem. E ainda assim, de vez em quando, lá estou eu ao lado deles. Cedo ou tarde todos sucumbem a mim.

Eu estou sempre ali!

Influenciando as mentes fracas, fechando portas e janelas, tapando horizontes, tirando esperanças... Seja bem vindo, Desespero!

Sabe quando você pensa de forma diferente? Fala, se veste, anda, age, faz escolhas, quando você é diferente e por isso te menosprezam, te ignoram, te odeiam, te agridem, te humilham? Pois é, o prazer é meu.

Quando te excluem porque você é magro demais, gordo demais: o prazer é meu... Quando te desprezam pela cor da sua pele? O prazer é meu. E quando seus pais, seus amigos, as pessoas que você ama te agridem pela sua sexualidade? O prazer é meu!

Quem sou eu? Olá, meu nome é Preconceito.

O prazer é meu.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Ode a Madrugada

Ah, eu louvo a madrugada!
Que vem fria e vem serena,
Quase sem querer chegar.

Que se arrasta, preguiçosa,
Fazendo que não se importa
De te encontrar.

Que vem de mansinho, enganosa,
Acelerando o tempo
De quem quer conversar.

Vem, com seus ares distantes,
Úmida do orvalho
De uma manhã-que-virá

Vem em silêncio, inspiradora:
É a insônia dos poetas,
Persuadidos a rimar.

Vem, tomada por romântica,
Regada a sonhos,
Banhada em luar.

E vem assim, misteriosa,
Carregando segredos.
E sempre a incitar

As paixões, os beijos amantes
E os ardentes desejos
Com que ousamos sonhar.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Idéias Íntimas

Eu escrevo ao som da chuva
E crio um mundo a partir de um “nada-branco”
Eu vejo as coisas de um jeito diferente
E vivo em um mundo em que você não existe

Minha mente não é só poesia
E nem a “fantasia” é meu motivo de viver
Não busco somente respostas,
Mas também as perguntas que me levam até elas

Eu procuro a Realidade da Vida
Não quero desvendar seus Mistérios,
Apenas entendê-los

Eu dependo de todos ao meu redor
E ao mesmo tempo, sou livre de qualquer corrente
Todos me cativam, ninguém me prende
Pertenço a mim mesma, e sou fiel apenas aos meus ideais

O que me fascina é a Natureza Humana
E tanto quanto, o que a distorce.
Amo a Vida, vivo a Morte.
Todas as pessoas que conheço vivem em mim
E se as vejo passar, o faço sorrindo.

O que mais gosto em você, seja você quem for,
É o seu sorriso
O que mais me intriga
São suas lágrimas

Se eu choro, sei por que o faço.
Se eu sofro, o faço por querer.
Eu imponho os meus limites
E os conheço muito bem
Pra mim o céu é o que há de mais perfeito
E a Lua possui o brilho mais sublime

Gosto do som tanto quanto do silêncio
A voz de que mais gosto é aquela que fala em mim
As palavras são tudo.
Mas meus olhos falam mais por mim
Do que minha própria boca.

Minhas idéias faladas podem ser infantis
Mas aquelas que mantenho pra mim
São sempre caprichosas demais para serem ditas
E por isso mesmo é que digo:
São idéias íntimas.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Os Diferentes

Já aviso que o texto não é meu! Foi meu pai quem me mostrou e achei que devia postar aqui no blog.
Bem, lá vai:


Os Diferentes

Diferente não é quem o pretenda ser. Este é um imitador do que não foi imitado, nunca um ser diferente.

Diferente é quem foi dotado de alguns mais e de alguns menos em hora, momento e lugar errado. Para outros. Que riem de inveja de não serem assim. E de medo de não aguentarem, caso um dia venham a ser. O diferente é um ser sempre mais próximo da perfeição.

O diferente nunca é um chato. Mas é sempre confundido com ele por pessoas menos sensíveis e avisadas. Supondo encontrar um chato onde está um diferente, talentos são rechaçados; vitórias são adiadas; esperanças são mortas.

Um diferente medroso, esse sim acaba transformando-se num chato. Chato é um diferente que não vingou.

Os diferentes muito inteligentes entendem porque os outros não os entendem. Os diferentes raivosos acabam tendo razão sozinhos, contra o mundo inteiro. Diferente que se preza entende o porquê de quem o agride.

O diferente paga sempre o preço de estar - mesmo sem o querer - alterando algo, ameaçando rebanhos, carneiros e pastores. O diferente aguenta no lombo a ira do irremediavelmente igual; a inveja do comum; o ódio do mediano. O verdadeiro diferente sabe que nunca tem razão mas que sempre está certo.

O diferente começa a sofrer cedo, desde o primário, onde todos de mãos dadas, e até mesmo alguns professores por omissão (principalmente os mais grossos), se unem para transformar o que peculiaridade e potencial, em aleijão e caricatura. O que é percepção aguçada em "- puxa, Fulano, como você é complicado!". O que é o embrião de um estilo próprio em "-Você não está vendo como todo mundo faz?".

O diferente carrega desde cedo apelidos e marcações nos quais acaba transformando-se. Só os diferentes mais fortes do que o mundo se transformaram (e se transformam) nos seus grandes modificadores.

Diferente é o que vê mais longe do que o consenso. O que sente antes mesmo dos demais começarem a perceber. Diferente é o que se emociona enquanto todos em torno agridem e gargalham.

Diferente é o que: engorda mais um pouco; chora onde outros xingam; estuda onde outros burram. Quer onde outros cansam. Espera de onde já não vem. Sonha entre realistas. Concretiza entre sonhadores. Fala de leite em reunião de bêbados. Cria onde o hábito rotiniza. Sofre onde outros ganham.

Diferente é o que: fica doendo onde a alegria impera. Aceita empregos que ninguém supõe. Perde horas em coisas que só ele sabe importantes. Engorda onde não deve. Diz sempre na hora de calar. Cala sempre em horas erradas. Não desiste de lutar pela harmonia. Fala de amor no meio da guerra. Deixa o adversário fazer o gol porque gosta mais de jogar do que de ganhar. Diferente é o que aprendeu a superar o riso, o deboche, o escárnio e a consciência dolorosa de que a média é má porque é igual.

Os diferentes aí estão: enfermos; paralíticos; machucados; engordados; magros demais; bonitos demais; inteligentes em excesso; bons demais para aquele cargo; excepcionais; narigudos; barrigudos; joelhudos; de pé grande; feios; de roupas erradas; cheios de espinha; de malícia; os diferentes aí estão: doendo e doendo, mas procurando ser, conseguindo ser, sendo muito mais.

A alma dos diferentes é feita de uma luz além. A estrela dos diferentes tem moradas deslumbrantes que eles guardam para os poucos que forem capazes de os sentir e entender. Nessas moradas estão os maiores tesouros da ternura humana. De que só os diferentes são capazes. Não mexa com o amor de um diferente. A menos que você seja suficientemente forte para suportá-lo depois.

ARTHUR DA TÁVOLA.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Perdas & Ganhos

“Por fim emergimos das águas mornas da infância e percebemos que existimos – no tempo.”

Essa é uma das realidades com que me deparei ao ler o livro “Perdas & Ganhos” de Lya Luft. Confesso que ainda não terminei de ler o livro, mas estou numa parte em que a autora fala sobre a velhice e o tempo.

Foi então que li aquela frase. E ela faz todo sentido, pois como a própria Lya escreve: ”na infância tudo é sempre agora” pois “estamos ocupados em viver”.

E é fato! Quando foi que paramos de viver em função do “agora”? Quando foi que começamos a viver o “agora” em função de prever o que virá “depois”?

E a verdade é que houve um momento em que percebemos que existimos no tempo, que nos deixamos levar pelo seu fluxo, e -por que não dizer?- que o tempo nos foi até mesmo imposto.

E aqui eu digo que “sim, isso me incomoda”. Porque eu não posso mais parar. Por que eu não posso mais parar? Por que diabos eu não posso mais parar?! Sinceramente, é isso que eu quero! Eu quero PARAR, quero ter TEMPO para sentir prazer nas coisas simples da minha vida! Eu quero VIVER o meu AGORA! Não quero continuar a sentir que meu dia passou rápido demais sem que algo de bom tenha acontecido! Porque não, não sou como boa parte das pessoas que “basta viver e pronto”! Eu quero SENTIR a minha VIDA!

Eu gostaria de acordar em meio ao silêncio, de fazer as coisas ao meu tempo, de viver ao meu bel-prazer. Eu gostaria de parar e sentir o calor do sol na minha pele, de sentir o vento fresco, de ouvir os pássaros cantando, de ver as crianças brincando na praça, de ouvir suas risadas... Isso, pra mim, é PAZ PROFUNDA.

Mas eu sempre sou carregada pela onda de pressa em que estamos vivendo. Não posso parar nem para apreciar os meus pensamentos, não posso parar nem para olhar com deslumbre as paisagens ou os rostos sorridentes que vejo em minha mente. Tem sempre alguém que me impõe o tempo, que não me permite parar.

E sei que haverá aqueles que me dirão: “O tempo é um estado de consciência”. Ao que eu previamente respondo: “Não há como não ter consciência do tempo quando ele está sendo martelado na sua cabeça!”.

E entretanto o Tempo é mesmo uma questão de perspectiva: Onde alguns dizem “ganhar tempo” eu veja as perdas; e onde outros apontam “perda de tempo” eu encontro os ganhos.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

O Veríssimo Sabe das Coisas

Dois contos (sensacionais) de Luís Fernado Veríssimo:


1) Era uma vez uma linda moça que perguntou a um lindo rapaz:

- Você quer casar comigo?

Ele respondeu:

- NÃO!

E a moça viveu feliz para sempre, foi viajar, fez compras, conheceu muitos outros rapazes ,transou bastante, visitou muitos lugares, foi morar na praia, comprou outro carro, mobiliou sua casa, sempre estava sorrindo e de bom humor, nunca lhe faltava nada, bebia cerveja com as amigas sempre que estava com vontade e ninguém mandava nela.

O rapaz ficou barrigudo, careca, o pinto caiu, a bunda murchou, ficou sozinho e pobre, pois não se constrói nada sem uma MULHER.

FIM!


2) Era uma vez, numa terra muito distante, uma linda princesa independente e cheia de auto-estima que, enquanto contemplava a natureza e pensava em como o maravilhoso lago do seu castelo estava de acordo com as conformidades ecológicas, se deparou com uma rã.
Então, a rã pulou para o seu colo e disse:

– Linda princesa, eu já fui um príncipe muito bonito. Mas uma bruxa má lançou-me um encanto e eu transformei-me nesta rã asquerosa. Um beijo teu, no entanto, há de me transformar de novo num belo príncipe e poderemos casar e constituir um lar feliz no teu lindo castelo. A minha mãe poderia vir morar conosco e tu poderias preparar o meu jantar, lavarias as minhas roupas, criarias os nossos filhos e viveríamos felizes para sempre…

E então, naquela noite, enquanto saboreava pernas de rã à sautée, acompanhadas de um cremoso molho acebolado e de um finíssimo vinho branco, a princesa sorria e pensava:

– Nem fo…den…do!

FIM!