segunda-feira, 28 de março de 2011

Desnorteio

Desde quando, desde quando?
Pessoas passam e eu ando
Com esse coração que não esquenta

Com essa emoção que não se sente
Que no peito de um descontente
Se torna água turbulenta

Ah, e essa frieza em si,
Contrária a tudo que não senti,
Com tanta constância me frequenta

Que logo não sei aonde vou
Se ainda ando ou se sou
Aquele que me orienta.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Agora é com vocês, meus amores.

Hoje eu não conversei com ela. Não conversei com ela e me parece que o dia se arrastou por causa disso. Porque sim, ela faz toda a diferença.
Não, não me importa o que pensem, não me importa o que digam. É, tudo bem, vão em frente e digam que ela é uma mentira. Podem dizer.
Afinal, vocês não sabem como é. Sim, estou dizendo que eu sei: não trocar uma palavra com ela por um dia equivale a cem sorrisos não dados, cem arrepios não sentidos, cem amores não declarados.
Sabiam que ela não odeia vocês? Ela não os odeia porque eu os amo, e ela sabe que eu fiz de tudo pra isso. Ela sabe que eu me esfolei pra que ela não odiasse vocês, ela sabe que eu me coloquei como uma barreira entre vocês e ela, e fiquei la firmemente (ou não) aguentando cada pedra que vocês tacaram, cada palavra insensível que proferiram, cada olhar de desprezo e expressão raivosa que vocês me deram sem sequer considerarem meus sentimentos. Ela sabe, ela sabe.
Vocês sabem?
Sabem o que eu senti? Ou quantas lágrimas frustradas eu chorei por várias noites porque vocês não davam a mínima? Sabem do desamparo que eu senti? Ou talvez do quanto eu me senti fora do lugar quando vocês estavam por perto?
A distância. Sabem da distância? Aliás, vocês sentiram a distância crescer entre nós?
Huh, se sentiram, eu aposto que vocês acham que a culpa é dela.
E querem saber, eu não odeio vocês, não os odiei nem por um minuto apesar de tudo. Por que? Porque eu os entendi, eu entendi tudo o que me disseram, eu entendi tudo o que sentiram, e eu sabia que era por amor, sabia que todas as palavras crueis eram por amor. E no fim, eu sofri por amor, e não foi pelo amor dela.
E tudo o que eu queria, e quero, é que vocês entendam. Não precisam entender meus motivos, não precisam entender a ela. Esqueçam essas coisas. Por um momento, concentrem-se em mim. Não no que eu faço, mas no que eu sinto. Olhem pra mim e me vejam de verdade: feliz e tranquila. Esqueçam essa imagem mental terrível que vocês projetam em mim.
Porque eu cansei das suas insensibilidades, cansei dos seus desprezos. Pra mim chega.
Agora é com vocês, se vocês quiserem entender, eu vou ficar feliz. Mesmo.
Se não quiserem, bem...

Foda-se.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Coisas que eu Aprendi

O professor gosta de ver o aluno se esforçar. Mas fica igualmente satisfeito ao vê-lo admitir que não sabe. Se abrindo, assim, ao Aprendizado, ao invés de se fechar, calando-se na Ignorância.


*Erros ou acertos: eles simplesmente não são importantes.

*Tudo bem não saber. Você está aqui pra descobrir o que não sabe.

*O sofrimento não é algo que se deva temer.

*Limite-se a aprender, sabendo que não existe nada vão, que não existe nenhuma experiência "ruim" que não tenha uma lição fantástica como fundamento.

*Limite-se a ser. Como você foi, como você é, como você será. Com todas as possibilidades de mudança, sempre que você quiser.

*Sobre a Verdade: ela o libertará. Seus olhos, entretanto, não podem vê-la. Mas confia que ela é formada de Luz, Vida e Amor, e que seu Princípio É e Está em todas as coisas.

*O nome com o qual nos designamos (Ser Humano) tem um significado profundo. Pare e pense sobre isso. Faça da Humanidade uma meta.

*Sinta, Compreenda e Perdoe. O Ódio, o Rancor, a Ira e o Arrependimento são o que te impedem de viver em Plenitude.

*Leia. E leia livros. Existem outras pessoas no mundo e algumas ou muitas estão mais "avançadas" do que você. Para a sua felicidade, elas normalmente gostam de escrever e compartilhar. (Richard Bach é altamente recomendado)

*Converse, troque ideias, não se prenda à sua opinião e visão dos fatos. O que você vê não é, nem de perto e nem de longe, tudo o que existe.


Quando ver ou ouvir as palavras: Amizade, Caridade, Solidariedade, Compreensão, Perdão, Paciência, Tolerância e Respeito; saiba que o que está sendo dito é: Amor, Amor, Amor, Amor, Amor, Amor, Amor e Amor.

O Amor tem vários nomes e usa várias máscaras. Saiba enxerga-Lo em todas as coisas.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

O Prazer é Meu

Você já me conhece. Alguns mais do que outros, mas no fundo sou conhecido de todos.

Sou um tanto invisível às vezes... Algumas pessoas nem me notam. São muitos os que não me querem por perto. E mesmo assim, uma hora ou outra, eu acabo ficando ao lado deles.

É, no fim, eu estou sempre ali, à espera de um espaço.

Eu dou suporte àqueles que não tem argumento; - nenhum argumento consegue me vencer, se conseguisse eu não estaria aqui. - Apoio teses sem sentido. Sem sentido mesmo: não preciso ter razão, muito menos estar certo. Qualquer motivo é Motivo pra mim. Basta que eu me faça presente.

Diferenças? Adoro as diferenças! Tudo que for fora do ‘normal’, novo, incomum, diferente demais, pode acreditar, vou estar envolvido.

E eu chego sem ninguém perceber, me fortaleço na insegurança, no ‘desconhecido’, na ignorância, no ódio, no medo.

Às vezes, a impressão que dá é que eu posso tudo. Sou Onipresente, Onipotente. Não, não sou Deus. Mas sim a Mão-Que-Pune: Eu sou a mão do pai que desce no rosto do filho. Sou a voz da mãe que expulsa a filha de casa. Sou o olho que julga, a voz que reprova, a mão que agride, a venda que cega os olhos conscientes.

Basta que eu tenha um espaço.

Aqueles que já me olharam nos olhos, que ouviram minha voz, que sentiram o peso da minha mão, esses sim me odeiam, me temem. E ainda assim, de vez em quando, lá estou eu ao lado deles. Cedo ou tarde todos sucumbem a mim.

Eu estou sempre ali!

Influenciando as mentes fracas, fechando portas e janelas, tapando horizontes, tirando esperanças... Seja bem vindo, Desespero!

Sabe quando você pensa de forma diferente? Fala, se veste, anda, age, faz escolhas, quando você é diferente e por isso te menosprezam, te ignoram, te odeiam, te agridem, te humilham? Pois é, o prazer é meu.

Quando te excluem porque você é magro demais, gordo demais: o prazer é meu... Quando te desprezam pela cor da sua pele? O prazer é meu. E quando seus pais, seus amigos, as pessoas que você ama te agridem pela sua sexualidade? O prazer é meu!

Quem sou eu? Olá, meu nome é Preconceito.

O prazer é meu.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Ode a Madrugada

Ah, eu louvo a madrugada!
Que vem fria e vem serena,
Quase sem querer chegar.

Que se arrasta, preguiçosa,
Fazendo que não se importa
De te encontrar.

Que vem de mansinho, enganosa,
Acelerando o tempo
De quem quer conversar.

Vem, com seus ares distantes,
Úmida do orvalho
De uma manhã-que-virá

Vem em silêncio, inspiradora:
É a insônia dos poetas,
Persuadidos a rimar.

Vem, tomada por romântica,
Regada a sonhos,
Banhada em luar.

E vem assim, misteriosa,
Carregando segredos.
E sempre a incitar

As paixões, os beijos amantes
E os ardentes desejos
Com que ousamos sonhar.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Idéias Íntimas

Eu escrevo ao som da chuva
E crio um mundo a partir de um “nada-branco”
Eu vejo as coisas de um jeito diferente
E vivo em um mundo em que você não existe

Minha mente não é só poesia
E nem a “fantasia” é meu motivo de viver
Não busco somente respostas,
Mas também as perguntas que me levam até elas

Eu procuro a Realidade da Vida
Não quero desvendar seus Mistérios,
Apenas entendê-los

Eu dependo de todos ao meu redor
E ao mesmo tempo, sou livre de qualquer corrente
Todos me cativam, ninguém me prende
Pertenço a mim mesma, e sou fiel apenas aos meus ideais

O que me fascina é a Natureza Humana
E tanto quanto, o que a distorce.
Amo a Vida, vivo a Morte.
Todas as pessoas que conheço vivem em mim
E se as vejo passar, o faço sorrindo.

O que mais gosto em você, seja você quem for,
É o seu sorriso
O que mais me intriga
São suas lágrimas

Se eu choro, sei por que o faço.
Se eu sofro, o faço por querer.
Eu imponho os meus limites
E os conheço muito bem
Pra mim o céu é o que há de mais perfeito
E a Lua possui o brilho mais sublime

Gosto do som tanto quanto do silêncio
A voz de que mais gosto é aquela que fala em mim
As palavras são tudo.
Mas meus olhos falam mais por mim
Do que minha própria boca.

Minhas idéias faladas podem ser infantis
Mas aquelas que mantenho pra mim
São sempre caprichosas demais para serem ditas
E por isso mesmo é que digo:
São idéias íntimas.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Os Diferentes

Já aviso que o texto não é meu! Foi meu pai quem me mostrou e achei que devia postar aqui no blog.
Bem, lá vai:


Os Diferentes

Diferente não é quem o pretenda ser. Este é um imitador do que não foi imitado, nunca um ser diferente.

Diferente é quem foi dotado de alguns mais e de alguns menos em hora, momento e lugar errado. Para outros. Que riem de inveja de não serem assim. E de medo de não aguentarem, caso um dia venham a ser. O diferente é um ser sempre mais próximo da perfeição.

O diferente nunca é um chato. Mas é sempre confundido com ele por pessoas menos sensíveis e avisadas. Supondo encontrar um chato onde está um diferente, talentos são rechaçados; vitórias são adiadas; esperanças são mortas.

Um diferente medroso, esse sim acaba transformando-se num chato. Chato é um diferente que não vingou.

Os diferentes muito inteligentes entendem porque os outros não os entendem. Os diferentes raivosos acabam tendo razão sozinhos, contra o mundo inteiro. Diferente que se preza entende o porquê de quem o agride.

O diferente paga sempre o preço de estar - mesmo sem o querer - alterando algo, ameaçando rebanhos, carneiros e pastores. O diferente aguenta no lombo a ira do irremediavelmente igual; a inveja do comum; o ódio do mediano. O verdadeiro diferente sabe que nunca tem razão mas que sempre está certo.

O diferente começa a sofrer cedo, desde o primário, onde todos de mãos dadas, e até mesmo alguns professores por omissão (principalmente os mais grossos), se unem para transformar o que peculiaridade e potencial, em aleijão e caricatura. O que é percepção aguçada em "- puxa, Fulano, como você é complicado!". O que é o embrião de um estilo próprio em "-Você não está vendo como todo mundo faz?".

O diferente carrega desde cedo apelidos e marcações nos quais acaba transformando-se. Só os diferentes mais fortes do que o mundo se transformaram (e se transformam) nos seus grandes modificadores.

Diferente é o que vê mais longe do que o consenso. O que sente antes mesmo dos demais começarem a perceber. Diferente é o que se emociona enquanto todos em torno agridem e gargalham.

Diferente é o que: engorda mais um pouco; chora onde outros xingam; estuda onde outros burram. Quer onde outros cansam. Espera de onde já não vem. Sonha entre realistas. Concretiza entre sonhadores. Fala de leite em reunião de bêbados. Cria onde o hábito rotiniza. Sofre onde outros ganham.

Diferente é o que: fica doendo onde a alegria impera. Aceita empregos que ninguém supõe. Perde horas em coisas que só ele sabe importantes. Engorda onde não deve. Diz sempre na hora de calar. Cala sempre em horas erradas. Não desiste de lutar pela harmonia. Fala de amor no meio da guerra. Deixa o adversário fazer o gol porque gosta mais de jogar do que de ganhar. Diferente é o que aprendeu a superar o riso, o deboche, o escárnio e a consciência dolorosa de que a média é má porque é igual.

Os diferentes aí estão: enfermos; paralíticos; machucados; engordados; magros demais; bonitos demais; inteligentes em excesso; bons demais para aquele cargo; excepcionais; narigudos; barrigudos; joelhudos; de pé grande; feios; de roupas erradas; cheios de espinha; de malícia; os diferentes aí estão: doendo e doendo, mas procurando ser, conseguindo ser, sendo muito mais.

A alma dos diferentes é feita de uma luz além. A estrela dos diferentes tem moradas deslumbrantes que eles guardam para os poucos que forem capazes de os sentir e entender. Nessas moradas estão os maiores tesouros da ternura humana. De que só os diferentes são capazes. Não mexa com o amor de um diferente. A menos que você seja suficientemente forte para suportá-lo depois.

ARTHUR DA TÁVOLA.